Inédito
RUAS DA CIDADE
Atravesso a rua do Desespero como um relâmpago corta a carne da noite.
Cirúrgico, venço a rua do Cansaço com um golpe de canivete.
(Esperança é um beco onde o coletivo não circula.)
Deságuo na rua da Fadiga, onde ninguém que valha a pena transita - sexo caro fumando cigarro vagabundo, menina sem horizonte bicicleta morro à cima.
(Conversa de compadres, sobre o gado, [fascistas não esclarecidos] impedindo o livre caminhar pelas calçadas.)
O único poeta digno de nota escreveu no muro: "viva em Araxá e morra de tédio" e escapou da polícia pela rua sem Nome.
Escrito por l. rafael nolli às 12h59
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