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Stalingrado 2
 


POEMA INÉDITO DE COMERCIAIS DE METRALHADORA

Muito tempo que eu não trazia para cá um poema inédito. Na verdade, ando escrevendo pouco - tudo bem, conheço intimamente esses ciclos de hiato critivo, já tendo, aliás, me acostumado a eles. Isso passa - pelo menos é o que me digo sempre, com uma ponta de dúvida. Bom, indo ao que interessa, esse poema foi o último que escrevi, e como se trata de um verso que está atrelado à uma fase dura, sem muita inspiração, posto ele aqui, em nossas trincheiras, para que eu possa ter uma idéia se o mantenho em meu novo livro, ou se sumo com ele. Por falar em novo livro, o título (definitivamente), é COMERCIAL DE METRALHADORAS. É isso meus camaradas! Abraço a todos! 



O BLOCO DAS ANCHOVAS

1
Os filhos do El Rey
caminham de blue jeans pela rua:
sobreviverm as mudanças de regime
e se esquentam em foqueiras de í­ndios
no calor vertiginoso da capital do paí­s.

2
Um telefonema os isenta
do frio cárcere:
números de cartões de crédito
voam sobre um céu de brigadeiro
pick ups 4X4 furam o vermelho dos sinais:
estarão livres para pularem o carnaval.

3
Ó mar do Brasil
quanto do teu sal são lágrimas de Portugal?

 



Escrito por l. rafael nolli às 17h12
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