RETRATO FALADO
O peso da arma no bolso, remetendo ao peso dos mortos escritos nas costas das pálpebras, era a bagagem que trazia consigo. Em insônia, galopando o dorso suado do oceano, pingar uma gota de ácido na pupila não desintegrava tais nomes: ao contrário, coloria-os, supria-os de gás néon: lisérgico painel reluzente convidando ao retorno do espetáculo, quando o sangue se negou ao anonimato da cena – incontido, brotando entre as cavidades oculares, para o deleite simétrico que desafiava a vida com arrogância.
De virtude, apenas o ódio comercializavél, o amor pela pólvora do revólver y o milagroso sêmen de seu ventre metálico: concepção inversa que silencia as maternidades y empoeira os berços. E, por que não, alegria em compreender-se necessário entre os homens, que sempre estão refletindo além da epiderme: nele, tudo dava-se a flor da pele y nada podia ser menos do que cacto para deitar seu corpo cansado.
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Camaradas, segue abaixo uma tirinha de Marcos Ayron de Melo. Vocês podem conferir outros trabalhos no seguinte endereço: http://supernilce.blogspot.com/ Visitem que vale a pena. Aproveito para agradecer os comentários e as visitas de todos. Abraços.

Marcos Ayron de Melo
Escrito por l. rafael nolli às 17h22
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