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Poema vindo das trincheiras do Stalingrado 1
AVISO DE DESPEJO
O poeta mente quando diz que o amor é uma flor rara, colhida nos verdejantes jardins da vida.
O amor, deveria ele dizer, é o ato de desespero no qual se agarra o solitário: é, por fim, o chão que anseia o pé do suicida - mas em baixo há apenas abismo e caos.
Mente o poeta quando diz que o amor é o porto seguro onde se ancora, e mente duplamente quando diz que Deus nos fez para amarmos uns aos outros.
O amor é a bóia que anseia o afogado, mas há apenas mais mar e mais água em sua ânsia de boiar - acima um pouco de céu sem fundo em baixo um pouco de barro e lodo.
Amor é um cio estragado.
Escrito por l. rafael nolli às 21h11
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