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Stalingrado 2
 


Trecho do Romance



Caos Azul de Thahy Valente Visitem http://www.intensidade.blogspot.com/



Camaradas, vou publicar hoje um trecho do meu romance. Acabei de escrevê-lo um dia desses e ainda não consegui encontrar um título. O artista plástico e amigo Hugo Martins está trabalhando numa capa, que em breve irei postar por aqui. O livro retrata o cotidiano de uma república de estudantes, tendo como pano de fundo um grupo de Intervenções Urbanas. Espero que apreciem, um abraço a todos e c omentem!





Gosto de pensar, enquanto os homens se anulam perdidos na multidão, que nesse exato momento o céu acaba de ser saqueado e que os últimos anjos que restaram escondem-se em meio às nuvens: as penas encharcadas de sangue, um pavor humano latejando em suas auréolas entortadas a socos. Pensar, enquanto a vida prossegue, que o céu fôra feito um enorme matadouro: os líderes da revolução discursando de boca cheia, e belas diabas dançando sobre celestiais cadáveres de arcanjos. Gosto de devanear sobre isso tudo – e talvez isso me faça um comunista – enquanto um urubu sobrevoa a igreja e fica inevitável não pensar na morte de Deus. Imaginar os padres em congresso, exaltados, temendo anunciar que Seu corpo imenso e branco fôra achado em meio aos escombros do altar: os sensatos pensando em fugir, os mais sensatos ainda perguntando: para onde? Gosto de imaginar que agora, nessa hora amena, o apocalipse já está efetuado e no céu dão uma imensa festa: Deus me livre de não ser convidado!

(Nota de rodapé: tenho que parar de ler Nietzsche, pelo bem de minha saúde mental.)


Escrito por l. rafael nolli às 16h48
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