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A FÁBRICA
Ele apertava parafusos. Não havia uma finalidade em si mesmo. Seu princípio e fim estava ligado a faculdade prática de apertá-los. Assim como havia aquele que de longe contemplava seu fazer, havia aquele que anteriormente colhera o metal nas montanhas, havia aquele que o derretia e aquele que sulcava em hélice seu corpo metálico, finalizando-o à porca... Eles mesmos, enquanto homens, foram colhidos nas montanhas, retirados do barro, moldados, cozidos – coisificados para a fábrica. O que faziam do material anônimo que ele crivava de parafusos? Nunca se perguntara se o preenchiam de alma, se o dotavam de utilidade: atarraxava com suas mãos-aptas-à-chave-inglesa e pronto. Sequer cogitara a origem daquela peça anteriormente já moldadas por outros operários, que também eram alienados sobre o futuro de seu trabalho. Sobretudo por não conhecerem a pergunta para a resposta que possuíam.
(Um dia juntaram todos no pátio, apertaram um botão vermelho em algum lugar distante e pulverizaram tudo – enorme cogumelo fazendo sombra sobra o cadáver da cidade. E morreram felizes para sempre.) Fim.
Escrito por l. rafael nolli às 14h43
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