Camaradas, esse poema foi escrito para o jornal O Nome, que sai, eu espero, essa semana! Abraços.
A Dança das Nove
Compreenderia se me dissessem que por ti
homens & mulheres secaram seus american express:
que outros, os sentimentais, se internaram no prozac,
mergulharam na cachaça
e acabaram por se identificar
com os personagens das músicas bregas,
com os suicidas frustrados e os figurões às portas da falência.
Aceitaria como verídico se me contassem que por ti
jovens se masturbaram no banheiro do colégio,
esquecidos do medo das mãos ficarem cabeludas,
das espinhas abundarem, do pau entortar noventa graus.
Eu creria, se me dissessem que outros,
os de alma mística,
(na veia correndo alguma coisa andina, ou céltica)
foram desesperados aos lupanários,
recorreram a nave central das igrejas
e terminaram encontrando um resquício de ti
na fumaça da maconha, nas mesas de oija,
os terreiros de candomblé.
Eu relevaria se afirmassem que Balzac & Nabukov
foram visionários que a profetizaram:
que há algo seu, talvez os olhos, talvez a alma,
na arte de Botticelli; que poetas menores a vislumbraram,
mas incapazes de compreendê-la
terminaram escrevendo Sonetos Bucólicos à Virgem.
Acataria de bom grado se narrassem em poesia
a saga de homens lacerados,
que por ti recorreram ao merthiolate, à aspirina,
e sem esperança entregaram-se aos divãs,
a loucura mansa dos que cochicham com as sombras,
ou se desnudam na rua.
Nunca duvidaria se me contassem
que uns fizeram de seu nome um mantra,
outros um hino e os exaltados um caminho.
Não duvidaria nunca!
Ó musa, como eu não te amo!
Escrito por l. rafael nolli às 22h43
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