GAVETA DE GUARDADOS

Tela de Joaquín Torres-García
Camaradas, resolvi vasculhar a gaveta - um monte de folhas soltas, escritas numa letra de garrancho inenarrável, descobri muito recentemente as maravilhas do computer! Pois bem, encontrei esse trecho de poema, que um dia espero terminar decentemente! Essas linhas foram rabiscadas por volta do ano de 1998! Comentem! Abraços!
VERSO APÓCRIFO
Deusa mãe, senhora das matas,
ouça esse incrédulo
que deita a cabeça em travesseiro de poliéster
e não sente no corpo o toque da grama orvalhada.
Ouça esse pequeno ser que larga o corpo na cama
e não passeia com a alma pelas paisagens absolutas da criação.
Senhora das estepes e vilarejos
peço a ti, que fora esquecida nos castelos imemoriais,
devassada por novos deuses, queimada em fogueiras de palha:
lave as pestes do mundo com seu bisturi;
amenize nossas dors com o sopro de sua melodiosa voz;
salve-nos com su soberbo toque;
dê-nos, no rastro de sua pena, um destino.
Deusa mãe, ouça agora esse que na ânsia em dormir não reza,
que na penumbra da incredulidade não crê.
Olhe por esse filho ingrato que não pronuncia seu nome nem recorre a ti com fé.
Escrito por l. rafael nolli às 23h15
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