XXXII

Petúnia Acorrentada - tela de Kity Amaral
Enquanto estronda a guerra lá fora e a fúria desordenada salpica granadas e testículos, enquanto a barbárie ressoa lá fora e ódio desmedido esquarteja canhõees e homens, eu sento e escrevo o seu nome.
Grifo-o, em alto-relevo, para os que não podem ver; grito-o, em claras palavras, para os que não podem tocar.
Enquanto despejam a guerra lá fora e a angústia desenfreada alicerça fronteiras, enquanto a desavença ceifa moradas e moradores, eu sento e escrevo o seu nome.
Risco-o, na areia, os que estão por vir; cravo-o nos olhos dos mortos, para que os mortos possam lembrá-lo sempre.
Emquanto fortificam a guerra lá fora e a dor sem fim dinamita povos e populações, eu sento e escrevo o seu nome: e ele é uma trincheira que cavo na noite escura, uma barricada que ergo - um doce nome que sussurro.
E vou fazendo até que não consiguirei suportar mais a fome e passe a correr Coca-Cola em minhas veias.
Escrito por l. rafael nolli às 00h04
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