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Stalingrado 2
 


ARTE DE HUGO MARTINS

 

Camaradas, estou em novo endereço - o espaço aqui acabou! Peço aos amigos que me linkem em seus blogs! Abraços!

 

http://rafaelnolli.blogspot.com/

 

http://rafaelnolli.blogspot.com/

 

http://rafaelnolli.blogspot.com/



Escrito por l. rafael nolli às 11h37
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Inédito

RUAS DA CIDADE

Atravesso a rua do Desespero
como um relâmpago corta a carne da noite.

Cirúrgico, venço a rua do Cansaço
com um golpe de canivete.

(Esperança é um beco onde
o coletivo não circula.)

Deságuo na rua da Fadiga,
onde ninguém que valha a pena transita -
sexo caro fumando cigarro vagabundo,
menina sem horizonte bicicleta morro à cima.

(Conversa de compadres, sobre o gado,
[fascistas não esclarecidos]
impedindo o livre caminhar pelas calçadas.)

O único poeta digno de nota
escreveu no muro: "viva em Araxá
e morra de tédio" e escapou da polícia
pela rua sem Nome.



Escrito por l. rafael nolli às 12h59
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POEMA INÉDITO DE COMERCIAIS DE METRALHADORA

Muito tempo que eu não trazia para cá um poema inédito. Na verdade, ando escrevendo pouco - tudo bem, conheço intimamente esses ciclos de hiato critivo, já tendo, aliás, me acostumado a eles. Isso passa - pelo menos é o que me digo sempre, com uma ponta de dúvida. Bom, indo ao que interessa, esse poema foi o último que escrevi, e como se trata de um verso que está atrelado à uma fase dura, sem muita inspiração, posto ele aqui, em nossas trincheiras, para que eu possa ter uma idéia se o mantenho em meu novo livro, ou se sumo com ele. Por falar em novo livro, o título (definitivamente), é COMERCIAL DE METRALHADORAS. É isso meus camaradas! Abraço a todos! 



O BLOCO DAS ANCHOVAS

1
Os filhos do El Rey
caminham de blue jeans pela rua:
sobreviverm as mudanças de regime
e se esquentam em foqueiras de í­ndios
no calor vertiginoso da capital do paí­s.

2
Um telefonema os isenta
do frio cárcere:
números de cartões de crédito
voam sobre um céu de brigadeiro
pick ups 4X4 furam o vermelho dos sinais:
estarão livres para pularem o carnaval.

3
Ó mar do Brasil
quanto do teu sal são lágrimas de Portugal?

 



Escrito por l. rafael nolli às 17h12
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HOMENAGEM

Meus camaradas, recebi do poeta Cássio Amaral, via Orkut, esse poema que compartilho com vocês! Aproveito para deixar o endereço do blog do Cássio aqui: http://sonnen.zip.net/ Visitem, que o passeio é garantido! Abraços a todos!



O Leão Nosso de Cada Dia II
Para L. Rafael Nolli (Brother e Guerrilheiro Mor)


um grito no absurdo
diz que poesia é pipoca em cine mudo
0,03 centavos de créditos no celular
um arsenal de metáforas
um vento agredido nos sonhos de Maiakovski
Revolução de dom quixotes arfantes de prosas
perfeitas que nos batem, nos cospem, nos matam
nos fuzis armados e disparados de verve eloquente
e lúcida de Luther Blisset
viva o cinema mudo, o disco voador do Pateta Bush
Viva Xuxa e o Bonde do Tigrão
Viva, viva!!! Tudo está morto na mídia
Viva, viva! E tudo está big brothermaniacando incantos
Viva! Viva!
Viva! viva!
Mas na veia da Guerrilha ainda há justiça,
Há Lou Reed fumando nuvens sangrentas
E Zappa cheirando sóis anestésicos de picardia
Píncaros de surrealidades que o corte se faz
num instante exato
Viva! Viva a poesia morta e enterrrada nos dias infernais
que virou o pó dos açúcares piegômetros
no chavão de limão com coração
Mas ainda há artilheiros
Empunhados com suas armas
Ainda há artilheiros
Preparados com suas clavas
Ainda há artilheiros
Bárbaros que encaram a face do diabo
Prontos com coquetéis molotov
prontos pra enfrentarem o amanhã
Com um rife de Zappa num escrito
Que alucina a boca do sapo que engole
a aurora quando o céu derrete




Escrito por l. rafael nolli às 11h14
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MEMÓRIAS A BEIRA DE UM ESTOPIM

TELA DO PINTOR ESPANHOL JOSÉ MANUEL MERELLO. VISITEM  www.spanishpaintersfromspain.com

Meus camaradas, para quem se interessar, ainda tenho alguns exemplares de meu livro Memórias à Beira de um Estopim. O valor de r$ 10 reais, como já disse em outras ocasiões, é para cobrir os gastos com o correio! Abraços a todos! 

 

Memorias à Beira de um Estopim
para Sany Lara

O poeta habita
tardes escurecidas por nuvens
e, entre gemidos de paz
e declarações de ódio,
lampeja,
em sua mente, o sonho que a geração acorda antes de tê-lo.

Sonha (o poeta)
em noites clareadas por relâmpagos,
entre jogos de guerra e lutas de amor,
o sonho que seu vizinho iria sonhar se as seis horas
não o escravizasse.

Com as memórias pulsando
nas veias e o cérebro injetado de sangue,
entre balbucios de ira e gritos de rancor,
o sonho dos outros lhe escapa pela boca cerrada.

Com idéias de concreto e atos de vento,
contra inimigos invisíveis e armas de plástico
(sabendo ser mero flerte erótico
e intenções carnais a geração que o procederá),
o sonho do homem do andar de cima, que não foi sonhado ainda,
chega-lhe ao peito - numa jornada que intenta a mão.

Entre tristezas que nunca se acabam
e felicidade que mal se iniciam,
o poeta faz do sonho que a chuva e a fome impediu os outros de sonharem
um verso com palavras estáticas e se lança,
de coquetel em
punho, contra moinhos de vento.

 



Escrito por l. rafael nolli às 13h26
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POEMA DE MEMÓRIAS À BEIRA DE UM ESTOPIM

Foto de Jan Saudek

 

Meus camaradas, Jan Saudek é um fotógrafo e tanto, acho que essa foto combina bastante com o poema que posto aqui hoje, nas trincheiras do Blog Stalingrado. Espero que gostem! Comentem, sim, a opinião de vocês é muito importante para mim! Segue o endereço da página do Jan, que ele divide com Sára Saudková, que tem um trabalho menos impactante, um pouco mais terno - ainda assim interessante. Abraços e obrigado pelos comentários.   

 http://www.saudek.com

 

XI

A poesia refugiou-se, não morreu. Imcompleta, fragmentada, ela está borbulhando no mais profundo caldeirão de idéias: no peito do poeta, na voz do povo, na mais sangrenta terça-feira ou no débil gemido de uma criancinha ferida na escada.

Basta beber na fonte certa, desobstruir o obstáculo certo, delimitar e repensar os caminhos certos.

Despudorar: se o verso anunciar um hecatombe, dar ao povo, em anúncio não misericordioso, o hecatombe. Revoltar: se o verso exigir uma revolução, dar a todos a chama, o estopim, a ordem.

A poesia refugiou-se, não morreu. Ela se arma na mais verde floresta, na mais longínqua vontade, no mais profundo desejo: ela resurgirá como um afogado de três dias que vêm à tona para feder.

 



Escrito por l. rafael nolli às 17h47
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AVISO DE DESPEJO

Foto de Jan Saudek

 

Meus camaradas, por um problema - acredito muito que tenha sido a distração ou a minha ignorância em lidar com o PC - acabei postando esse poema repetido. Olha que ele está logo aí em baixo! Irei mantê-lo, agora que percebi o erro, em respeito ao pessoal que comentou. Ao apagá-lo os recados também seriam excluídos, e isso não seria legal. Então fica assim mesmo, o mesmo poema em um curto prazo de tempo. Será que é a idade? Perdoem, sim! Abraços! 

 

AVISO DE DESPEJO

O poeta mente quando diz
que o amor é uma flor rara,
colhida nos verdejantes jardins da vida.

O amor, deveria ele dizer,
é o ato de desespero no qual se agarra o solitário:
é por fim, o chão que anseia o pé do suicida -
mas em baixo há apenas abismo e caos.

Mente o poeta quando diz que o amor
é o porto seguro onde se ancora,
e mente duplamente quando
diz que Deus nos fez para amarmos uns aos outros.

O amor é a bóia que anseia o afogado,
mas há apenas mais mar e mais água em sua änsia de boiar -
acima um pouco de céu sem fundo
em baixo um pouco de barro e lodo.

Amor é um cio estragado.



Escrito por l. rafael nolli às 13h25
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POEMA DE MEMÓRIAS Â BEIRA DE UM ESTOPIM + TELA DO PINTOR ESPANHOL DINO VALLS


DINO VALLS
ACU PICTA
Óleo y pan de oro / tabla
Polá­ptico 6 piezas: 150 x 120 cms. VISITEM A GALERIA DO AUTOR: www.dinovalls.com
2004

POEMA


Fazí­amos amor no 235
enquanto J. G. Pereira lançava, triunfante,
seu cinto na viga sobre sua cabeça...
onde em instantes estaria gangorrando pelo pescoço.

(O rádio desligado emudecia seu canto fúnebre
com uma irresponsabilidade lastimável -
nós gozávamos no 235, alheio a valsa
de seus pés sem chão.)





Escrito por l. rafael nolli às 22h19
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RETRATO FALADO

                    O peso da arma no bolso, remetendo ao peso dos mortos escritos nas costas das pálpebras, era a bagagem que trazia consigo. Em insônia, galopando o dorso suado do oceano, pingar uma gota de ácido na pupila não desintegrava tais nomes: ao contrário, coloria-os, supria-os de gás néon: lisérgico painel reluzente convidando ao retorno do espetáculo, quando o sangue se negou ao anonimato da cena – incontido, brotando entre as cavidades oculares, para o deleite simétrico que desafiava a vida com arrogância.
                                  

                    De virtude, apenas o ódio comercializavél, o amor pela pólvora do revólver y o milagroso sêmen de seu ventre metálico: concepção inversa que silencia as maternidades y empoeira os berços. E, por que não, alegria em compreender-se necessário entre os homens, que sempre estão refletindo além da epiderme: nele, tudo dava-se a flor da pele y nada podia ser menos do que cacto para deitar seu corpo cansado.

________________________________________________________

Camaradas, segue abaixo uma tirinha de Marcos Ayron de Melo. Vocês podem conferir outros trabalhos no seguinte endereço: http://supernilce.blogspot.com/ Visitem que vale a pena. Aproveito para agradecer os comentários e as visitas de todos. Abraços.

Marcos Ayron de Melo 



Escrito por l. rafael nolli às 17h22
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Poema vindo das trincheiras do Stalingrado 1

AVISO DE DESPEJO

O poeta mente quando diz
que o amor é uma flor rara,
colhida nos verdejantes jardins da vida.

O amor, deveria ele dizer,
é o ato de desespero no qual se agarra o solitário:
é, por fim, o chão que anseia o pé do suicida -
mas em baixo há apenas abismo e caos.

Mente o poeta quando diz que o amor
é o porto seguro onde se ancora,
e mente duplamente quando
diz que Deus nos fez para amarmos uns aos outros.

O amor é a bóia que anseia o afogado,
mas há apenas mais mar e mais água em sua ânsia de boiar -
acima um pouco de céu sem fundo
em baixo um pouco de barro e lodo.

Amor é um cio estragado.


Escrito por l. rafael nolli às 21h11
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GAVETA DE GUARDADOS

Camaradas, abri a gaveta - fim de ano e coisa e tal... Taí­ o resultado: um poema meio mofado. Ah, farei o sorteio dos livros através dos nomes que recolherei nos comentários. Abraços e feliz ano novo para todos!



Tela de Pablo Picasso




A MAÇÃ

A boa nova havia desembarcado
na rua onde eu morava.
Em baixo do poste
a turminha a propagava em estalos de euforia:
a recatada moça crente
despia-se, fogosa,
achando-se sozinha no quintal de sua casa.

Eu, que não havia a visto
nem possuí­a tamanho
ou ponta de pé suficiente para fitá-la,
fiquei perdido por três longos dias
em sua vasta floresta de pêlos.


Escrito por l. rafael nolli às 21h08
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POEMA INÉDITO

Evocação Inútil

 

Ó meninino que fui

dono duma infância sabor novalgina

sofrendo delírios por doses excessivas

de xarope para o pigaro e a tosse -

infantil viagem sob o sol anti-Copérnico

                       dos trópicos, onde te perdi?

 

Ó fotocópia do pai

imprudente criatura

amassando com o calo dos pés

os caramujos da esquistossomose:

educado naturalmente

por um brejo povoado por destemidos vermes -

que vida era aquela

onde a felicidade se escondia

no pequeno peixe que resistia

          em meio as fezes e ao detergente

          expelidos pelos intestinos da civilização?

 

Ó minúsculo sonhador

que escapou do coice de cavalos humanizados

pelas placas de trânsito

                   e a covivência com as rádios AM -

que motivo havia para se ser feliz

nas axilas daquela cidade

que produzia mangas

                        e goiabas melhores do que homens?

 

Ó incansável infante

que o tempo mastigou

até torná-lo meu antepassado:

te procuro tremendo de medo

         das guerras televisonadas

                          em horário nobre;

tremendo de medo

             dos vazamentos radioativos

                        discutidos nas mesas de bar -

 

que estupidez geográfica te levava

a crer que a tua casa seria o próximo alvo?

 

Ó ignorante de si mesmo

te procro mijando sobre as flores do jardim

num dia esquecido por todos

                  por não haver algo de novo nele -

que risos você riu nessas tardes

por nada que valesse a pena

                           ou merecesse apreço?

 

Ó curioso moleque

interessado na decomposição dos ratos

na fratura exposta, no fogo nas petroquímicas -

me encontro em ti

no olhar     no passo     na voz

 

e retorno em seguida

para a merda de vida que será a tua.

 



Escrito por l. rafael nolli às 15h14
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SORTEIO DE LIVROS

Camaradas, na postagem da semana que vem, trarei notícias sobre o sorteio de alguns exemplares de meu livro Memórias à Beira de um Estopim! A partir de hoje iniciam-se as comemorações em função das quase cinco mil visitas que recebi por aqui nos últimos 8 meses: número expressivo que deve ser comemorado com muita literatura! Não posso esquecer de mencionar o quanto é importante para mim esse contato, que tenho como maior incentivo para continuar escrevendo meus versos. Abraços e valeu!
  

 

HERANÇA

Não sei se vou te dizer
em que pé caminha a esperança no fruto ainda na semente,

ou se digo
– se devo dizer –
a certeza nas coisas quadradas
que se alongam até arredondarem-se.

não sei se falo
– ainda há voz –
de equações químicas que se resolvem em silêncio,
nos livros que nunca caducam,

ou se conjeturo
a luta que enfrentaram os que, antes de nós,
domesticaram os grãos a nascerem na horta,
próximo ao apelo da mão.

não sei se retrato a terra sitiada de onde escapou o musgo exilado
que cobre as pedras, como uma pelagem de inverno,
ou se explico
– resta um filete de canto –
os vislumbres de um futuro próximo,
onde ainda se morre como em comerciais de metralhadoras.

não sei se devo
– ou se me permitem –
relatar as dificuldades dos homens nas fornalhas,
derretendo o minério que irá virar bibelô de madame
ou maçaneta de táxi, e conto,
de mãos postas, sua dieta fria, isenta de calorias;
ou se caracterizo a vida cotidiana dos desempregados,
com seus baralhos, nas filas sem fim ou emprego.

não sei se romantizo
os vagabundos noturnos que chamo pelo nome, ou se
narro as noites em que sonho com a Poesia
– a inevitável – e que acordo de pau duro.

não sei se confirmo
– se é lúcido confirmar –
as verdades sobre a ternura dos ditadores para com suas esposas
& amigos;
o carinho dos carrascos e torturadores dispensados aos seus filhos
& amantes,

ou se, simplesmente, me calo.

Não sei,
talvez o poeta esteja mudo,
diante dos out doors do apocalipse.

 



Escrito por l. rafael nolli às 16h59
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FÁBULA DO ESÔFAGO

Um dia o ditador subiu na tribuna

mui bem barbeado.

 

Ele disse, veemente:

aqueles que não foram humanizados pela desgraça

nunca chegarão a ser gente na bonança.

 

Ordenou em seguida a construção de um paredão

- que por pouco não deu a volta no país -

para um fuzilamento coletivo,

onde o som dos disparos poderiam ser aproveitados

como fogos de artifício numa imensa festa revolucionária.

 

Eu estava entre os que aplaudiram

e que não quiseram acordar. 

 

 



Escrito por l. rafael nolli às 23h06
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Aguardo: com defeito e efeito

Pois é, camaradas, Joana Corrêa é uma dessas escritoras que realmente trazem o mundo para dentro de seu texto: um mundo humano, de gente de verdade, com desejos, frustrações e toda sorte de sentimentos que mortalmente aspiramos. Por essa e por outras, leio sempre as suas crônicas. Fui presenteado nesse texto com uma citação sobre meu poema CANIBAL, fato que muito me engrandeceu. Comemtem! Abraços!







AGUARDO: COM DEFEITO E EFEITO


H²O, nicotina e cafeína, fiéis companheiras nos últimos dias. Dias que vão e vêm, e sobrevivo, sim. Mas cheia de arranhões, feridas, hematomas irreparáveis. Faltam pedaços de carne em mim. O sangue se esvai pelos poros, narinas. Por todos os orifícios do corpo flácido, que necessita de vitaminas, proteínas, exercícios físicos, sol, seu esperma.

O vento frio raspa o rosto, navalha que arde, queima de tão gelado. Machuca, racha os lábios. Os cabelos embaraçam, nós cegos e cristalizados. Cadê meu pente e a jaqueta? Fuck off.

A morte é tentadora. Pois é, mas ainda não tomei uma superdosagem de ansiolíticos, meu bem. Ainda. Ou seria ainda bem?

Aguardo.

Vesti uma calça qualquer, uma blusinha branca, bem meiga. Melissas fininhas, trancinhas - cara de menina pura. Vem cá! Mas parecia uma vadia louca, não é? Não pensei em nada, nem ninguém. Pergunto-me se depois daquele episódio, ainda consigo voltar a ser como antes. Linda puritana, não. Mas, pelo menos, uma linda putana, puta gente fina, saca? Que faça um bom boquete, tenha bom papo, cuide bem dos filhos e tal.

Lembro que comecei era dia, aquela noite. Asfalto vazio, lanternas amareladas, poucas. Sinais de trânsito inúteis aos carros bêbados, Pierre’s etílicos, prédios altos com janelas abertas, que traziam aos meus ouvidos o som dos ventiladores de teto rodopiando vagarosamente, tortura. Eco do meu desespero, seu silêncio ensurdecedor, nada de ônibus, só um. Passou. Devia ter parado por ali, mas as sensações, de alguma forma, eram incontrolavelmente desejadas por mim. “Limite” foi a palavra-atitude que se perdeu do meu dicionário-vida durante algumas horas.

E as atitudes foram incomodativas, todas elas, desde o início. O primeiro gole, e o beijo na rua, que chamou atenção dos meninos no ônibus de margaridas, que gritaram: “AÊ!”
Ali, meus olhos se perderam no vazio, reflexos azuis acinzentados da poluição do Centro da cidade e Baía de Guanabara, a fumaça dos coletivos. E eu, ainda escutava ao longe um neném chorando a espera da mãe. Agonia.

Uma vez escrevi num poema idiota; que queria amar, e seria puta enquanto não encontrasse esse amor. Meses depois, li no poema de um amigo, o Nolli: “só as putas acreditam em príncipes encantados.” Pois é, cá estou, esperando você, meu príncipe encantado dos prazos. Você quer silêncio? Ok. A boca continua fechada - e será aberta quando e para o que você quiser - enquanto os dedos se mexem. Pudera. Cansa, não agüento. Acho que já quebrei o silêncio algumas vezes, sem êxito. Alguém me ajuda?

Será que a decadência se vai, Dr.? Ontem você me disse, olhando pelo pedaço aberto, sem botão, da minha blusa, mirando minhas tetas frias: aqui é porto, eu, você e seu jeans, e então a gente abre essa ferida, ainda mais, limpa e depois costura, espera cicatrizar. E eu te pergunto: é fácil assim? Qual seria o nome da substância cicatrizante? Líquido seminal?

É, não quero a pureza fingida da maioria, nada melhor que uma boa trepada, sem puderes idiotas, com qualidade, defeito. Efeito.
E qual seria o efeito? Eu e você sabemos, Pica de Mel.

Ainda espero voltar pra porta do banheiro da casa de uma amiga, corredor vazio, burburinhos espalhados pela casa grande, Dr. Mãos invadindo corpos, arregaçando roupas. Mãos sentindo as tetas quentes, mistura de línguas homogeneizando salivas. Enquanto ouço o batuque do pandeiro no meu latejar.

Quero líquido seminal pra tetas quentes.

Já imaginou o efeito disso?

Feito.
Dos grandes.


Aguardo.





Joana Côrrea: Carioca, ex-junkie/punk-sempre. Moicano e tudo mais que tive direito. Branca-de-neve na pele, e negra no coração, na alma, nos pés e no jogo de cintura. Molejo dos bons! Papo de anarquista-flamenguista-chata que gosta de contos infantis e afins. Saca? Mãe-mãe-mãe-louca, agora. Loucura na dose certa. Vodca com água de côco. A água, separo para as minhas crianças, com amor. E com sorriso estampado, posso fazer cócegas e pipoca pra elas, e pra você (…)”. Escreve atualmente no Paradoxonline .

Escrito por l. rafael nolli às 15h45
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